Imprensa Fundacc - Adriana Coutinho
Público degusta cultura caiçara na 9ª edição do Festival do Camarão
A cultura caiçara foi deliciosamente degustada por moradores e turistas na praia do Camaroeiro entre os dias 15 e 18 de junho na 9ª edição do Festival do Camarão, evento realizado pela Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba, Associação dos Pescadores Artesanais do Camaroeiro e Prefeitura Municipal por meio da Setur.
A abertura, no dia 15, às 12 horas, contou com a presença do Prefeito Municipal, José Pereira de Aguilar, presidente da Fundacc, Eloíza Antunes, Ricardo Ribeiro, secretário de Turismo, Diácono Joel, Cosme Damião, da Petrobrás, Maria Aparecida de Medeiros e Josenayde S. Enéas, do Sebrae, além de vereadores municipais, pescadores, e público em geral. Ao som da Banda Municipal Carlos Gomes, foi realizada a procissão de São Pedro e a benção do mastro erguido em nome dos Santos comemorados no mês de junho – Antonio, Pedro e João.

A festa transcorreu em clima festivo durante os quatro dias com inúmeras opções de pratos típicos, como o camarão com mandioca, bolinhos caiçaras e porções comercializadas pelas famílias dos pescadores nas 26 barracas de alimentação.
Um dos locais que mais atraiu o público foi a Casa da Farinha que realizou a “feitura” da farinha de mandioca, mostrando todas as fases até o produto final. Aos visitantes foram entregues saquinhos contendo a farinha, como lembrança do festival. A cunhagem da canoa, feita pelo pescador Baguinha também atraiu muitos turistas, ávidos em conhecer esse saber: como transformar um tronco de Guapuruvu, árvore nativa da região numa embarcação, usando somente ferramentas rudimentares como enxol goiva e prumo.
A Tenda das Artes que reuniu o melhor do artesanato identitário dos quatro municípios foi visitada por centenas de pessoas, que também adquiriram peças em vários materiais típicos da região.
A corrida de canoas e a canoa a pano, programada para acontecer dia 18 pela manhã, foi suspensa devido ao mau tempo, mas está prevista para acontecer no sábado, 24, a partir das 9 horas, na praia do Camaroeiro, com a participação dos pescadores das quatro comunidades de pescadores da cidade: Porto Novo, Camaroeiro, Cocanha e Massaguaçu.
Na tenda de recreação para as crianças, com brincadeiras oferecidas por estudantes dos cursos de Pedagogia, Educação Física, Biologia, Normal Superior e outros, do Centro Universitário Módulo-Unimódulo, foi outro local muito freqüentado. As crianças participaram de oficinas aprendendo antigas brincadeiras dos caiçaras.
Alunos do curso de Turismo do Ceprolin – Centro de Educação Profissional do Litoral Norte - realizaram pesquisa com o público presente levantando dados que serão de extrema importância para a avaliação do evento.
Grupos musicais da região animaram a festa durante os quatro dias, assim como as oficinas culturais e grupos da Fundacc, assim como grupos convidados como o Guaruçá, de Ubatuba, com um belíssimo trabalho musical folclórico sobre a região.
A homenagem aos pescadores antigos aconteceu na tarde de domingo, quando as famílias de Sebastião Dário e Dona Mariinha, juntas, participaram da cerimônia de entrega dos certificados e lembranças oferecidos pela Fundacc. Eles também assistiram ao vídeo produzido anualmente sobre o pescador artesanal, importante Patrimônio Imaterial, que este ano com o título Ritmo das Marés, com direção da jornalista Adriana Coutinho e pesquisa da historiadora Luzia do Prado, trouxe cenas e detalhes da vida difícil que os caiçaras levam, com seus saberes transmitidos a cada geração de pescadores.
Segundo Moacyr Frúgoli, presidente da Associação dos Pescadores do Camaroeiro, foram comercializados durante o festival 18 toneladas de camarão sete barbas, e três mil quilos de camarão rosa e branco – esse total abrange o camarão vendido nos boxes do entreposto e também utilizado nas barracas de alimentação. “A pesca esse ano não foi tão boa como a do ano passado. Não houve defeso. Isso também muda em relação à venda e ao consumo - não foi uma atração para o público, que já estava consumindo o camarão normalmente. Nos outros anos, as pessoas ficavam esperando o festival para comer e comprar. O preço, por conta de não ter muito pescado, também aumentou. Esse ano, tivemos que vender o camarão branco a R$23 reais. Em 2005 vendemos a R$18” comenta Frugoli.